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Por que no Brasil é tão difícil?

 

Por Archimedes A. Raia Jr.

 

O ano de 2012 marcou um recorde para a maioria dos países da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD), com números que mostram quedas significativas nas mortes no trânsito. A OECD congrega 34 países membros em todo o globo, desde a América do Norte e Sul, a Europa e parte da Ásia. O Chile é o único país sul-americano a fazer parte desse seleto grupo. Em maio de 2007, os países da OCDE convidaram o Chile, Estônia, Israel, Rússia e Eslovênia para a adesão à Organização, que ofereceu uma possibilidade futura para Brasil, China, Índia, Indonésia e África do Sul.

O desempenho em segurança viária, medido em termos de fatalidades por 100 mil habitantes, varia consideravelmente entre os países. A diferença entre os melhores e os piores desempenhos de segurança viária é de 3 vezes. Já, entre os países membros e os países observadores, a diferença chega a 9 vezes. A Argentina é um país observador. Estes dados constam do Relatório Anual de Segurança Viária, publicado pelo Fórum Internacional dos Transportes, da OCDE.

Essa disparidade reflete a divisão entre os países desenvolvidos, com políticas eficazes de segurança viária e as economias emergentes, que enfrentam uma rápida motorização, que supera a implementação de medidas de segurança. A maior parte das reduções de mortes beneficiou ocupantes de automóveis. Este fato se deve, em grande parte, devido ao aumento das características de segurança passiva dos carros. As mortes entre os passageiros de carros foram reduzidas pela metade na última década. Os resultados têm sido menos positivos para os usuários mais vulneráveis do trânsito. De 2000 a 2010, entre os países membros, a morte de pedestres e ciclistas caiu “apenas” um terço, enquanto que os motociclistas, “apenas” 14%.

A segurança dos usuários vulneráveis do trânsito continua a ser um dos principais problemas de segurança viária, principalmente em países de baixa renda. No entanto, para muitos países que buscam incentivar a mobilidade ativa, a melhoria da segurança para pedestres e ciclistas é uma prioridade. Outro desafio central é a redução de lesões graves causadas por acidentes de trânsito, que provocam sérias deficiências ao longo da vida, associadas a custos econômicos e danos emocionais consideráveis. No Brasil a situação é bem diferente. Na última década, registrou-se, considerando todas as categorias conjuntamente, um aumento na taxa de mortes a cada 100 mil habitantes de quase 26%. Excluindo a categoria pedestre, que caiu 21%, todas as demais cresceram significativamente. As mortes de motociclistas aumentaram mais de 300%; os ciclistas, 43%; ocupantes de automóveis, 22%.

Enfim, nossas estatísticas estão bastante distantes em relação aos países mais desenvolvidos do mundo. Enquanto lá as mortes chegam a cair quase 50%, em algumas categorias de usuários, aqui, a maioria dessas categorias registra um recrudescimento na quantidade de mortes, ponderada pelo tamanho da população. Será que um dia chegaremos ao patamar dos países da OECD? Parece difícil! Aliás, por que será que é tão difícil melhorar os índices de segurança viária no Brasil?

 

O autor, Archimedes A. Raia Jr., é engenheiro, mestre e doutor em Engenharia de Transportes, especialista em Engenharia e Segurança Viária, professor da UFSCar, coautor dos livros Segurança no Trânsito, Segurança Viária e Polos Geradores de Viagens Orientados a Qualidade de Vida e Ambiental

 

Fonte: JCNET


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