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Pesquisa diz o que todo mundo já sabe...

 

Diário da Manhã
José Aparecido Ribeiro
 

Mais uma vez a Globo divulga pesquisa de temas relevantes para o Brasil sem o devido aprofundamento e perde a oportunidade de cobrar das autoridade atitudes concretas. O especialista que falou do tema no Jornal Nacional do dia 25/05, não aponta caminhos, fala o que todo mundo já sabe, que o colapso no trânsito das cidades brasileiras está se aproximando. Pior, ele transfere as responsabilidades para quem é vítima, mesmo sabendo das limitações do povo para tirar conclusões a respeito de um tema tão complexo e controverso como é a mobilidade urbana.

 

Em um pais onde a indústria automobilística emprega 12% da população economicamente ativa e que representa 18% do PIB, não haverão alternativas para minimizar o caos urbano que não sejam obras, MUITAS OBRAS. De nada adianta os discursos vazios e “politicamente corretos” de que o povo precisa parar de comprar carro e optar pelo transporte coletivo se não existe transporte de qualidade. Os modais existentes não atendem aos que precisariam e querem deixar o carro em casa.

 

A sugestão do "especialista", que é detentor de títulos internacionais, mas vive longe da realidade, e que foi o mesmo que afirmou na Globo, em entrevista recente que a culpa das mortes das estradas federais é da imprudência, e não das rodovias de pistas simples que facilitam colisões frontais, é tão estapafúrdia quanto a primeira. Rodízio e restrições de circulação nada mais é do atestado de incompetência do poder publico. O mesmo governo que dá incentivos como isenção de IPI, crédito fácil e convida montadoras para se instalar no Brasil, não consegue fazer as obras de infra estrutura que as cidades precisam. Todos os meses são despejados nas ruas das cidades brasileiras mais de 330 mil veículos. Recorde sucessivos de produção que não vai parar.

 

Ora que discurso é esse que contraria a lógica da economia e do bom senso? Essa contradição por si só já seria suficiente para tirar conclusões. Não é a industria e nem quem optou pelo carro que estão errados, mas quem não fez o dever de casa nos últimos 40 anos, mesmo sabendo que a frota de veículos chegaria nos atuais patamares, levando as cidades ao caos. Os homens que pensam as cidades pararam no tempo, tornaram-se românticos e buscam inspiração no modelo europeu, quando deveriam buscá-los no EUA, querem, com apoio de urbanistas, exorcizar o carro como se ele fosse o vilão.

 

A título de informação, só a cidade de Belo Horizonte precisa de mais de 100 obras de infra estrutura, (vias expressas, trincheiras, viadutos, túneis, passarelas, elevados). Ao dar voz a especialistas que dizem que o rodízio e as restrições são alternativas para evitar o colapso do transito, a Globo presta um desserviço para a Nação. Se querem contribuir, apontem soluções, e não transfiram para que é vítima, a culpa do problema. Lembro ainda que 90% da população tem no carro mais do que um meio de transporte, ele é também sonho de consumo, sinônimo de liberdade e ascensão social. Portanto, nem sempre o que institutos dizem, se confirma na prática.

 

 

(José Aparecido Ribeiro, consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos, presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACMinas, fundador da ONG SOS Mobilidade Urbana)

 


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