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Desligaram a minha vida

Tecnologia ocupa cada vez mais espaço e causa dependência no trabalho ou na diversão

07/07/2013

 

Por Wagner Teodoro

 

“Mas o que está acontecendo?” “Assim não dá para fazer nada!” Frases assim ou outras piores, impublicáveis, foram ouvidas e pronunciadas durante a semana por praticamente todos após a pane que afetou a Internet, os telefones e a TV durante a semana em Bauru. Diante da falta dos serviços, o que não faltou foi revolta pela impossibilidade de trabalhar e frustração por ver a interatividade e o lazer paralisados. Isso só evidencia algo já constatado: parou a Internet, parou tudo. Ou quase. Agora, parou também o telefone e TV, e o caos fica bem próximo. Empresas, bancos e residências ficaram “desamparados” por causa da interrupção dos serviços após a NET enfrentar problemas com seu combo (TV, telefone e Internet por assinatura) e a Vivo também apresentar falhas em sua telefonia móvel.

 

A entrevista desta matéria foi feita por e-mail. Esta informação poderia ser irrelevante, mas, neste caso, torna-se pertinente. Evidencia que cada vez mais a tecnologia assume papel indispensável e onipresente no cotidiano. Todos trabalham, interagem e divertem-se usando um computador, tablet ou celular. Passa-se cada vez mais tempo em frente ao computador diariamente e, em muitos casos, quando deixa-se o computador segue-se conectado à Internet por meio de tablets e smartphones. Chega a não ser exagero a piadinha que corre no Facebook: “Aí você sai do Facebook, desliga o computador, deita para dormir, pega o celular e entra no Facebook”. A relação aproxima-se mesmo de um vício.

 

Paulo Milreu é presidente da Associação Brasileira dos Agentes Digitais - Regional Interior Paulista, especialista em mídias sociais e também um usuário da Internet diariamente para fins profissionais e de entretenimento. Milreu afirma que a relação entre trabalho e “diversão” muitas vezes acaba sendo difícil de ser distinguida e o vínculo computador/Internet já se tornou automático. “Creio que seja difícil separar quando você está trabalhando e quando está se divertindo no uso do computador ou outro dispositivo conectado à Internet. Da mesma forma é difícil pensar em usar um computador sem Internet”, declara.

 

Milreu relata que passa diariamente pelo menos dez horas conectado e aponta que 90% deste tempo é destinado ao trabalho. “Precisamos, hoje, ficar conectados, pois a maioria das pessoas está conectada e essa é a principal ferramenta de comunicação e relacionamento. E, portanto, para mim de negócios. Os poucos minutos ou uma hora com problema no seu fornecedor de Internet já causam um transtorno enorme. Por isso acabamos tendo mais de um fornecedor de Internet: na telefonia fixa e no celular”, analisa. Assim, dá para ter a dimensão do transtorno que a falta dos serviços pode causar quando a reativação leva horas.

 

Milreu avalia que a Internet tornou-se indispensável no trabalho e, sem ela, não se poderia trabalhar com a mesma eficiência hoje. “Não dá para imaginar o dia a dia sem a pesquisa diária de assuntos no Google e mesmo o próprio uso de aplicativos como e-mail, editor de textos e planilhas, que no meu caso são 100% online”, destaca. Com o avanço da mobilidade, a influência da rede mundial de computadores se estende para o período no qual estamos em trânsito, caracterizando uma onipresença de fato. O celular também é telefone, mas isso é o de menos. “O que menos faço são ligações. Uso o celular plenamente para receber e enviar e-mails e quando desligo o computador estou com o celular. Uso também para redes sociais, pesquisa e navegar”, expõe.

 

A constatação de uma dependência é inegável. “Sim, hoje somos totalmente dependentes, e quanto mais seu trabalho se aproxima de relacionamento constante com outras pessoas, isso se torna mais imprescindível”, diagnostica Milreu.

 

Redes sociais avançam

Se o tempo conectado se multiplica, as redes sociais ganham terreno, deixam de ser apenas ferramentas para “amizades” e passam a exercer papel em negócios, uma vez que propiciam interação imediata com o interlocutor. Além de terem relevância em mobilizações, como foi comprovado nos recentes protestos que se espalharam pelo Brasil, funcionam como meio de reclamações, denúncias, publicidade com retorno quase instantâneo. Especialista no assunto, Milreu não dispensa esta ferramenta diariamente.

 

“Participo diariamente das principais, como Facebook, Google+, LinkedIn e Twitter e de outras com menor intensidade como meu blog. Grande parte do meu tempo é dedicada a conversar com pessoas pelas redes sociais, haja vista que hoje é mais fácil ter uma resposta de alguém no Facebook do que por e-mail. Como meu trabalho é focado em Internet, software e mídias sociais, tudo é muito natural. Fico mais conectado nas redes sociais do que falando ao telefone ou enviando e-mails”, afirma Milreu, que destaca os vídeos entre os entretenimentos preferidos na Internet.

 

Porém, Milreu se atenta em colocar limites. Nos finais de semana procura aliviar e valorizar o mundo real em detrimento do virtual. “Sem dúvida diminui o tempo que fico conectado, pois acredito ser importante o relacionamento na família e com amigos”, salienta.


Da Internet para Internet

A Internet é importante por vários motivos: trabalho, lazer, interatividade... mas se torna realmente imprescindível quando é, ao mesmo tempo, ferramenta de trabalho e fruto dele. O publicitário Juliano Casamalli se encaixa neste perfil, uma vez que cria sites e usa a própria rede para obter ferramentas e aplicativos para municiá-lo. Portanto, ficar sem Internet nem pensar. “Não tem como, todo nosso trabalho é feito para Internet e por meio da Internet. Tudo o que a gente faz é para algum sistema da Internet. A gente também trabalha com pesquisa”, comenta. “Tudo o que a gente faz necessita. Se hoje não tiver Internet, não temos como trabalhar. Essa é a realidade”, constata.

 

A rotina de Casamalli é ficar de oito a dez horas por dia em frente ao computador. O trabalho e lazer são levados em concomitância neste período. “É junto, ao mesmo tempo”, pontua. Enquanto trabalha, o publicitário marca presença em redes sociais. “Uso a Internet para tudo: trabalho, bate-papo, relacionamento com familiares e amigos”, comenta. Além disso, utiliza a rede mundial de computadores diariamente para diversão. “Eu também jogo pela Internet”, acrescenta.

 

Nos finais de semana, o ritmo não cai. Casamalli se mantém conectado, mesmo distante da ferramenta usual de trabalho. “Aí fico ligado mais no smartphone e no tablet”, explica. O publicitário não imagina sua rotina longe das tecnologias. “Hoje é impossível ir a qualquer lugar sem estar com um celular conectado às redes sociais, a e-mail e estas coisas. Em tudo a gente está conectado. Se você está com um celular, vai ao banco e recebe um e-mail, vai praticar algum lazer e todo tempo é acionado pelos compromissos de trabalho e tudo mais. Além do que, através do celular, se fazem transações bancárias”, aponta Casamalli.

 

Ciente da dependência da Internet, o publicitário de diz completamente adaptado e não se sentir incomodado. “Estamos acostumados, não incomoda”, conclui.

 

Fonte: JCNET


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