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De bike ao trabalho: faça a sua parte

De bike ao trabalho: faça a sua parte

 

Um antigo jornalista que cobriu durante décadas o Palácio do Planalto para o jornal Estadão, conta um episódio inusitado que aconteceu em 1961, quando o polêmico Jânio Quadros, exercia a presidência da República. Ele e o seu assessor jurídico, Saulo Ramos, discutiram a edição de um decreto em defesa da ecologia, assunto até então desconhecido. Após muita falação, o homem que saiu pelos fundos de Brasília, na sua Brasília amarela, apenas 7 meses depois de tomar posse, alegando a ação de “forças ocultas” ordenou: “redija hoje mesmo, que eu assino amanhã!” Saulo, com a sua fala mansa, retrucou: “mas, senhor presidente, hoje é sábado, e amanhã é domingo. É preciso ainda colher a assinatura do ministro da Agricultura para referendar este decreto”. Irado, Jânio insistiu: “Não interessa. Quero o decreto amanhã e pronto. Talvez seja o domingo, o dia em que os brasileiros menos estragam a natureza. Portanto, um dia muito bom para assiná-lo.”

 

Dito e feito. Foi editado então o Decreto n° 50.877, em 29 de julho de 1961, um dos primeiros atos normativos, em favor do meio ambiente, editados em nível mundial. Para se ter uma ideia, a França, que costuma se antecipar às legislações européias, editou as suas normas ambientais somente dez anos mais tarde. Naquele decreto, a palavra poluição passou a existir no direito pátrio. Não obstante, quase trinta anos depois, Jânio Quadros eleito prefeito de São Paulo e Saulo Ramos, ministro da Justiça no governo Sarney, durante um breve reencontro, lembraram o episódio da edição do pioneiro decreto ecológico. Ambos lamentaram muito, o seu descumprimento, o que teria impedido, por exemplo, a transformação dos rios Pinheiros e Tietê em esgotos a céu aberto.

 

Não basta a vigência de boas leis. É necessário de cada cidadão colabore, fazendo a sua parte. Como disse o libertário Mahatma Gandhi, “não tente adivinhar o que as pessoas pensam a seu respeito. Faça a sua parte, se doe sem medo. O que importa mesmo é o que você é. Mesmo que outras pessoas não se importem. Atitudes simples podem melhorar sua vida.” Portanto, comece o quanto antes a mudar suas atitudes.

 

Se cada pessoa fizer a sua parte, podemos salvar o planeta. Não são necessárias atitudes espetaculares. Pequenos gestos valem muito neste sentido e podem contribuir para preservarmos o meio ambiente, no interesse da atual e das futuras gerações. Um deles é deixar por um dia o carro na garagem, como propõe o movimento “De Bike ao Trabalho”, que acontece neste 10 de maio. O evento, no Brasil - primeiro ano de ação em âmbito nacional com a rede do Bike Anjo -, é inspirado no “Bike To Work Day”, um acontecimento mundial, realizado em vários países para promover a bicicleta como uma opção de transporte para o trabalho. Esse ato de conscientização ambiental começou nos Estados Unidos, em 1956, organizado pela League of American Bicyclists.

 

Em todo o País, os promotores do evento estão se mobilizando para organizar atividades, como oficinas de aprendizagem para iniciantes no mundo da bicicleta, café da manhã para quem for de bicicleta ao trabalho e campanhas de adesão de empresas para estimular o uso da bicicleta por seus funcionários, além de outras novidades.

 

Trata-se de uma atitude sustentável e cidadã, que chama a atenção para a caótica realidade atual nas grandes cidades: os cidadãos vem perdendo cada vez mais tempo no trânsito, gerando mais ansiedade e menos qualidade de vida. Como amenizar esse ciclo vicioso? Um levantamento da Secretaria de Trânsito de São Paulo, mostra, por exemplo, que um milhão de pessoas passam mais de duas horas no trânsito para ir ao trabalho e a capital paulista perde no trânsito cerca de 33,5 bilhões de reais por ano, ou quase 10% do seu PIB. E o que dizer do trânsito de Goiânia? Já está, infelizmente, entre os piores do País.

 

Neste contexto, a bicicleta aparece como uma alternativa sustentável, por se tratar de um veículo limpo, eficiente, inteligente e saudável. O “De Bike ao Trabalho” ajuda a despertar a sociedade para esse meio de transporte. No entanto, é necessário que o governo, de fato, incentive e estimule o uso da bicicleta, construa ciclovias por todas as cidades e facilite o acesso do trabalhador à bike. Afinal, usar a bicicleta como meio de transporte é contribuir na redução dos congestionamentos e da poluição. Uma bicicleta na rua significa um carro a menos no trânsito.

 

(Antônio Almeida; presidente - Conselho de Responsabilidade Social e vice presidente - Fieg; conselheiro do Cores - CNI; presidente do Sindicato da Indústria Gráfica do Estado de Goiás (Sigego) e Abigraf/Regional Goiás; presidente de honra - Abraxp e diretor; presidente da Editora Kelps)

 

Antônio Almeida

 

Fonte: Diário da Manhã


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