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Agonia da polícia vira notícia internacional

06/12/2012 22:12

Situação dos policiais de São Paulo levou jornal americano 'The New York Times' a escancarar problema

Pressão, muita pressão. Salários baixos, falta de amparo, ameaças constantes e rigidez da hierarquia militar. O policial militar em São Paulo está endividado, é obrigado a fazer bicos, estender sua jornada de trabalho e a morar em imóveis considerados submoradia.

Essa mistura explosiva levou um dos maiores jornais do mundo, o “The New York Times”, a produzir um artigo relacionando os baixos salários e o descaso do governo com o policial como uma das causas das mortes dos PMs, ocorridas principalmente nas periferias da capital e Grande São Paulo e também no interior.

“Não é preciso um jornal americano publicar algo nesse sentido. A população está acompanhando a violência na cidade e sabe que a tropa da Polícia Militar está totalmente desestimulada”, disse o deputado estadual Major Sérgio Olímpio Gomes (PDT).

Segundo o major, os salários vergonhosos, o risco iminente e a baixa valorização fazem com que o nível de candidatos a ingressar na corporação seja menor. “É uma bola de neve. O futuro policial é morador da periferia, tem baixa renda e atinge camadas mais pobres da população, principalmente quando se fala da maioria, os praças (soldados, cabos e sargentos). Então, o policial é morador de áreas mais sujeitas a ter criminosos e corre o risco maior”, disse.

“O PM em São Paulo é uma bomba. Ameaçado, tem explodido contra a população. Endividado e pressionado, tem implodido, perdendo esperança de viver, impotente diante do medo da própria família”, disse o tenente Dirceu Cardoso, da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares do Estado de São Paulo.

O parlamentar Olímpio Gomes conta que em 2005 a Polícia Militar realizou um estudo mostrando que 25% dos policiais militares residiam em subhabitações. “Moram em favelas, cortiços, pensões e até como ‘laranjeiras’ (nos fundos dos quartéis). De lá para cá, aumentaram os homens, mas o salário não melhorou em nada. A relação proporcional certamente aumentou”, observou.

O deputado Major Olímpio disse ainda que a Diretoria de Pessoal da PM também havia feito um levantamento apontando que 22% dos policiais militares pagavam pensão alimentícia.

Consequências/ “A pressão pelo dinheiro da subsistência e a longa jornada de trabalho, causando ausência do ambiente familiar, levam a um alto índice de separações ”, disse o major.

O parlamentar ressaltou que não tem dúvidas de que muitos policiais se enveredaram para o crime por falta de apoio. A PM informou que não tolera desvios de conduta e apura todas as denúncias. Em 2012, a PM demitiu 56 policiais, expulsou 115 e reformou cinco administrativamente.

Diário de São Paulo

 

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